terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Pergunte aos espíritos



Algumas pessoas preferem não formular perguntas aos espíritos, esperando que eles se manifestem espontaneamente sobre os assuntos que mereçam sua atenção. E há quem se sinta receoso ou constrangido, quando surge a oportunidade de pedir aos orientadores espirituais algum esclarecimento.
Kardec trata do assunto em O livro dos médiuns, dizendo que, ao contrário do que muitos imaginam, as questões dirigidas aos espíritos são de grande utilidade, do ponto de vista da instrução. E elas também ajudam a desmascarar espíritos mistificadores.
É importante que usemos de um tom respeitoso ao inquirir os espíritos, mas sem receio de causar melindres. 
Quanto à forma, as perguntas que fazemos precisam ser claras e precisas, obedecer a uma ordem e encadear-se logicamente. As respostas obtidas dependerão do conhecimento que o espírito possui, do seu interesse pelo tema, da afeição dedicada a algum ou a todos os encarnados presentes, do propósito das perguntas e da utilidade que vejam naquilo que perguntamos.


Esta é a capa da Edição 10 do jornal Leitura Espírita, de Fevereiro de 2013:


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Luiz Gonzaga e o carinho dos pais

Lamentavelmente, algumas vezes na vida trocamos o essencial pelo supérfluo...

Por Pedro Camilo

Assistindo a uma entrevista concedida pelo saudoso Luiz Gonzaga à TV Cultura, na década de 70 do século XX, ainda em preto e branco e sem as demais tecnologias conhecidas nos dias de hoje, tive minha atenção atraída para uma fala muito significativa do músico.
Seu filho Gonzaguinha, também artista e presente à entrevista, endereça-lhe a seguinte pergunta:
- Eu queria saber: como foi tua infância?
Com a sua natural simpatia, o Rei do Baião respondeu, prontamente:
- Minha infância foi de menino pobre, mas não tão infeliz, porque eu creio que uma criança pobre, uma criança, enfim, dificilmente pode saber que é infeliz, desde que tenha o carinho dos seus pais. Isto não me faltou em casa.

Pensando sobre

Ouvir essas palavras assim, com a naturalidade e a autoridade de quem falava de si mesmo, me fez pensar um pouco nos valores que cultivamos e transmitimos a nossas crianças, inda mesmo sem o percebermos.
A todo instante, na luta frenética dos nossos dias, apesar de todos os valores espirituais e morais que temos aprendido a assimilar, nos prendemos em demasia às necessidades da vida material, condicionando nossa felicidade à compra de um carro, de uma casa nova, à realização de uma viagem ou mesmo à aquisição de um par de tênis.
Assim mergulhados no mundo do “ter”, conduzimos nossas crianças pelos mesmos caminhos, como referências que somos na formação de sua personalidade, inculcando em suas mentes que só é possível ser feliz quando se acumulam riquezas, esquecidos das coisas simples e de como a vida, em si mesma, é simples.
Aliás, o próprio universo infantil é simples, isto é, destituído de maiores necessidades. As crianças se alegram e festejam por pouca coisa, basta que se sintam agradadas, contempladas, atendidas em suas manifestações de afeto e correspondidas em suas peraltices.
De que nos adiantam os tesouros que o tempo consome, como na palavra do Cristo, se não entesouramos os nossos corações e o das nossas crianças com amor sincero, com carinho verdadeiro?
Quantos de nós ignoramos a força do afeto em meio às adversidades da vida e nos privamos, e às nossas crianças, de momentos felizes, apesar dos pesares?
“Uma criança”, lembra Luiz Gonzaga, “dificilmente pode saber que é infeliz, desde que tenha o carinho dos seus pais”, ao que poderíamos acrescentar: pessoa alguma poderá se saber infeliz, desde que receba e distribua afeto!
E se lembramos, ainda com Jesus, que precisamos ser como crianças para ganhar o nosso “reino interior”, que é o grande Reino de Deus, receberemos as sábias palavras do músico para nós mesmos, buscando no carinho da família, dos amigos e da Humanidade a resposta perfeita para os nossos momentos de infelicidade.

PEDRO CAMILO é advogado, professor universitário, escritor e expositor espírita. Trabalhador do Núcleo Espírita Telles de Menezes, de Salvador/BA. Autor de Yvonne Pereira, uma heroína silenciosa (Ed. Lachâtre) e Mediunidade: para entender e refletir (Ed. Mente Aberta), entre outros livros.

Este texto é parte integrante do Jornal Leitura Espírita, Edição 08, Dezembro de 2012, que traz ainda:

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Apenas assista...

Que não nos abandone a criança que sonha e que brinca mas, brincando, também deixa no mundo marcas de inocência e beleza!

 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Nossa história em 2 minutos: vale a pena assistir!

A história de nosso planeta pode ser vista como uma história da evolução anímica dos seres que transitaram pelos três reinos e uma história da evolução intelectual e tecnológica dos seres humanos, mas também mostra o quadro de nossa ainda deficiente melhoria moral.
Our story in 2 minutes é um vídeo feito pelo jovem estudante Joe Bush, de dezenove anos e que, postado no final de maio de 2012, tornou-se bastante popular. O vídeo foi produzido para um projeto escolar, e conduz a uma verdadeira viagem no tempo com imagens em sequência cronológica que, segundo seu autor, foram obtidas na internet.
Perceber como temos agido perante a Natureza e o próximo pode ser um ponto de partida para a conscientização de nosso papel no mundo e de nossa possibilidade de rever atitudes equivocadas. Vale a pena acompanhar essa viagem no tempo, do passado ao futuro.



Veja outros destaques da edição 06 do jornal Leitura Espírita: 


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Bezerra de Menezes: um relato pessoal

Por Silvia Beraldo
silviaberaldo@bol.com.br

Escultura em argila do artista paraense Milton Nascimento

Hoje, 29 de agosto, dia em que se comemora o nascimento de Adolfo Bezerra de Menezes no ano de 1831, gostaria de relatar e testemunhar uma cura de doença grave através deste espírito.
Há uns oito anos, fui acometida por uma doença chamada psoríase, que provoca o ressecamento e descamação da pele. No meu caso, atingiu as solas dos pés, até o tornozelo  e as mãos, até o cotovelo,  gerando um doloroso sofrimento emocional (no casamento) e social (pois pessoas achavam que seria uma doença contagiosa).
Procurei médicos e encontrei um diagnóstico profundamente decepcionante. Alguns dermatologistas me informaram que não haveria cura para essa doença, por se tratar de uma doença emocional. Na ocasião, estava passando problemas financeiros e emocionais, muitas  mudanças, e foi quando surgiu a doença.
Restava-me apenas, segundo os médicos, tratar o ressecamento, para não se tornar uma doença crônica, ou seja visível para sempre (porque aparecia e sumia).
Bem, há uns 4 anos atrás, já frequentava o Grupo Alternativo Amor e Luz*, em Santa Cecília/SP, buscando limpeza corporal através das sessões de passe. Um dia desses estava tendo uma cirurgia espiritual (eu nem tinha conhecimento do trabalho), onde haviam me informado que a médium estava incorporada com doutor Bezerra de Menezes. Prontamente passei pelo atendimento e doutor Bezerra me perguntou:
- Filha o que vc tem?
Então eu pensei... e me lembrei da psoríase. Disse a ele, que me perguntou:
- Onde?
E eu relatei. No mesmo instante ele começou seu trabalho de cura E, em uma única sessão de tratamento, ELE ME CUROU.
Já faz 4 anos que ele me abençoou com a cura, sempre que falo com algum espírita sobre questões de saúde, me vem essa lembrança do doutor Bezerra de Menezes.
E olha que não sou adepta a nenhuma e religião, posso dizer que sou uma eterna indagadora! Mas essa cura aconteceu e não tenho dúvidas que fui curada por ele o doutor BEZERRA DE MENEZES”!
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SILVIA BERALDO trabalha com vendas e reside em São Paulo, Capital.

* O Grupo Alternativo Amor e Luz Hospital Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes situa-se à rua Lopes de Oliveira, 474, Santa Cecília, São Paulo/SP, CEP 01152-010, Fone 011-3822-5687.

Saindo a Edição 05, de Setembro de 2012


quarta-feira, 18 de julho de 2012

O espiritismo e a mulher

"É a mulher que, desde o berço, modela a alma das gerações"






Por León Denis*

Encontram-se, em ambos os sexos, excelentes médiuns; é à mulher, entretanto, que parecem outorgadas as mais belas faculdades psíquicas. Daí o eminente papel que lhe está reservado na difusão do novo Espiritualismo.

Malgrado às imperfeições inerentes a toda criatura humana, não pode a mulher, para quem a estuda imparcialmente, deixar de ser objeto de surpresa e algumas vezes de admiração. Não é unicamente em seus traços pessoais que se realizam, em a Natureza e na Arte, os tipos da beleza, da piedade e da caridade; no que se refere aos poderes íntimos, à intuição e adivinhação, sempre foi ela superior ao homem. Entre as filhas de Eva é que obteve a Antiguidade as suas célebres videntes e sibilas. Esses maravilhosos poderes, esses dons do Alto, a igreja entendeu, na Idade Média, aviltar e suprimir, mediante os processos instaurados por feitiçaria. Hoje encontram eles sua aplicação, porque é sobretudo por intermédio da mulher que se afirma a comunhão com a vida invisível.

Mais uma vez se revela a mulher em sua sublime função de mediadora que o é em toda a Natureza. Dela provém a vida; e ela a própria fonte desta, a regeneradora da raça humana, que não subsiste e se renova senão por seu amor e seus ternos cuidados. E essa função preponderante que desempenha no domínio da vida, ainda a vem preencher no domínio da morte. Mas nós sabemos que a morte e a vida são uma, ou antes, são as duas formas alternadas, os dois aspectos contínuos da existência.

Mediadora também é a mulher no domínio das crenças. Sempre serviu de intermediária entre a nova fé que surge e a fé antiga que definha e vai desaparecendo. Foi o seu papel no passado, nos primeiros tempos do cristianismo, e ainda o é na época presente.

O catolicismo não compreendeu a mulher, a quem tanto devia. Seus monges e padres, vivendo no celibato, longe da família, não poderiam apreciar o poder e o encanto desse delicado ser, em quem enxergavam antes um perigo.

A antiguidade pagã teve sobre nós a superioridade de conhecer e cultivar a alma feminina. Suas faculdades se expandiam livremente nos mistérios. Sacerdotisa nos tempos védicos, ao altar doméstico, intimamente associada, no Egito, na Grécia, na Gália, às cerimônias do culto, por toda a parte era a mulher objeto de uma iniciação, de um ensino especial, que dela faziam um ser quase divino, a fada protetora, o gênio do lar, a custódia das fontes da vida. A essa compreensão do papel que a mulher desempenha, nela personificando a Natureza, com suas profundas intuições, suas percepções sutis, suas adivinhações misteriosas, é que foi devida a beleza, a força, a grandeza épica das raças grega e céltica.

Porque, tal seja a mulher, tal é o filho, tal será o homem. É a mulher que, desde o berço, modela a alma das gerações. É ela que faz os heróis, os poetas, os artistas, cujos feitos e obras fulguram através dos séculos. Até aos sete anos o filho permanecia no gineceu sob a direção materna. E sabe-se o que foram as mães gregas, romanas e gaulesas. Para desempenhar, porém, tão sagrada missão educativa, era necessária a iniciação no grande mistério da vida e do destino, o conhecimento da lei das preexistências e das reencarnações; porque só essa lei dá à vida do ser, que vai desabrochar sob a égide materna, sua significação tão bela e tão comovedora.

Essa benéfica influência da mulher iniciada, que irradiava sobre o mundo antigo como uma doce claridade, foi destruída pela lenda bíblica da queda original.

Segundo as Escrituras, a mulher é responsável pela proscrição do homem; ela perde Adão e, com ele, toda a Humanidade; atraiçoa Sansão. Uma passagem do Eclesiastes a declara “uma coisa mais amarga que a morte”. O casamento mesmo parece um mal: “Que os que têm esposas sejam como se não as tivessem” – exclama Paulo.

Nesse ponto, como em tantos outros, a tradição e o espírito judaico prevaleceram, na igreja, sobre modo de entender do Cristo, que foi sempre benévolo, compassivo, afetuoso para com a mulher. Em todas as circunstâncias a escuda ele com sua proteção; dirige-lhe suas mais tocantes parábolas. Estende-lhe sempre a mão, mesmo quando decaída. Por isso as mulheres reconhecidas lhe formam uma espécie de cortejo; muitas o acompanharão até a morte.

A situação da mulher, na civilização contemporânea, é difícil, não raro dolorosa. Nem sempre a mulher tem para si os usos e as leis; mil perigos a cercam, se ela fraqueja, se sucumbe, raramente se lhe estende mão amiga. A corrupção dos costumes fez da mulher a vítima do século. A miséria, as lágrimas, a prostituição, o suicídio – tal é a sorte de grande número de pobres criaturas em nossas sociedades opulentas.

Uma reação, porém, já se vai operando. Sob a denominação de feminismo, um certo movimento se acentua legítimo em seu princípio, exagerado, entretanto, em seus intuitos; porque ao lado de justas reivindicações, enuncia propósitos que fariam da mulher, não mais mulher, mas cópia, paródia do homem. O movimento feminista desconhece o verdadeiro papel da mulher e tende a transviá-la do destino que lhe está natural e normalmente traçado. O homem e a mulher nasceram para funções diferentes, mas complementares. No ponto de vista da ação social, são equivalentes e inseparáveis.

O moderno espiritualismo, graças às suas práticas e doutrinas, todas de ideal, de amor, de equidade, encara a questão de modo diverso e resolve-a sem esforço e sem estardalhaço. Restitui a mulher seu verdadeiro lugar na família e na obra social, indicando-lhe a sublime função que lhe cabe desempenhar na educação e no adiantamento da humanidade. Faz mais, reintegra-a em sua missão de mediadora predestinada, verdadeiro traço de união que liga as sociedades da Terra às do Espaço.

A grande sensibilidade da mulher a constitui o médium por excelência, capaz de exprimir, de traduzir os pensamentos, as emoções, os sofrimentos das almas, os altos ensinos dos espíritos celestes. Na aplicação de suas faculdades encontra ela profundas alegrias e uma fonte viva de consolações. A feição religiosa do Espiritismo a atrai e lhe satisfaz as aspirações do coração, as necessidades de ternura, que estendem, para além do túmulo, aos entes desaparecidos. O perigo para ela, como para o homem, está no orgulho dos poderes adquiridos, na suscetibilidade exagerada. O ciúme, suscitando rivalidades entre médiuns, torna-se muitas vezes motivo de desagregação para os grupos.

Daí a necessidade de desenvolver na mulher, ao mesmo tempo que os poderes intuitivos, suas admiráveis qualidades morais, o esquecimento de si mesma, o júbilo do sacrifício, numa palavra, o sentimento dos deveres e das responsabilidades inerentes à sua missão mediatriz.

O materialismo, não ponderando senão o nosso organismo físico, faz da mulher um ser inferior por sua fraqueza e a impele à sensualidade. Ao seu contato, essa flor de poesia verga ao peso das influências degradantes, se deprime e envilece. Privada de sua função mediadora, de sua imaculada auréola, tornada escrava dos sentidos, não é mais um ser instintivo, impulsivo, exposto às sugestões dos apetites mórbidos. O respeito mútuo, as sólidas virtudes domésticas desaparecem; a discórdia e o adultério se introduzem no lar; a família se dissolve, a felicidade se aniquila. Uma nova geração, desiludida e cética, surge do seio de uma sociedade em decadência.

Com o espiritualismo, porém, ergue de novo a mulher a inspirada fronte; vem associar-se intimamente à obra de harmonia social, ao movimento geral das ideias. O corpo não é mais que uma forma tomada por empréstimo; a essência da vida é o espírito, e nesse ponto de vista o homem e a mulher são favorecidos por igual. Assim, o moderno espiritualismo restabelece o mesmo critério dos celtas, nossos pais; firma a igualdade dos sexos sobre a identidade da natureza psíquica e o caráter imperecível do ser humano, e a ambos assegura posição idêntica nas agremiações de estudo.

Pelo espiritismo se subtrai a mulher ao vértice dos sentidos e ascende à vida superior. Sua alma se ilumina de clarão mais puro; seu coração se torna o foco irradiador de ternos sentimentos e nobilíssimas paixões. Ela reassume no lar a encantadora missão que lhe pertence, feita de dedicação e piedade, seu importante e divino papel de mãe, de irmã e educadora, sua nobre e doce função persuasiva.

Cessa, desde então, a luta entre os dois sexos. As duas metades da humanidade se aliam e equilibram no amor, para cooperarem juntas no plano providencial, nas obras da Divina Inteligência.



* Texto extraído do livro No invisível (Ed. FEB)


Esta é a capa da Edição 04 (Agosto/2012) do jornal Leitura Espírita: